Resultados de trabalhos de pesquisa com culturas de 2ª Safra foram apresentados pela Fundação MS em evento on-line

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Pesquisadores debateram alternativas para cultivo e rotação de culturas visando redução de custos e aumento de produtividade

Por: Fundação MS

O dia 30 de novembro foi de muito aprendizado para produtores rurais, técnicos agrícolas, profissionais ligados ao agronegócio, consultores e estudantes com o evento Apresentação de Resultados Sistemas de Produção 2ª Safra, realizado pela Fundação MS e transmitido pela página da instituição no Youtube. Ao todo, mais de 1.000 pessoas acompanharam a programação que trouxe informações sobre trabalhos de pesquisa com milho, sorgo, trigo, algodão e culturas de cobertura em ambientes diversificados.

A Apresentação de Resultados faz parte da estratégia da Fundação MS em levar conhecimento visando melhor produtividade e rentabilidade, fundamental nessa época em que a instabilidade de setores do agronegócio está fazendo com que produtores e profissionais que atuam na área busquem opções para atender as necessidades do campo. A previsão de falta de insumos para a próxima safra está fazendo com que os envolvidos com o setor busquem novos caminhos.

“Este é um momento importante para a Fundação MS, pois é onde devolvemos aos produtores e as empresas as informações para que possam utilizar no dia a dia. Esta demanda é encaminhada a nós por meio do conselho técnico-científico. Sempre frisamos que nossos resultados são aplicados dentro da nossa estratégia de fazer pesquisa aplicada ao produtor”, disse o presidente da Fundação MS, Luciano Muzzi Mendes.

Diante do cenário existente, é preciso muita atenção para minimizar os riscos e aumentar a produtividade. Neste aspecto, os estudos conduzidos pelos pesquisadores abordaram temas que foram da fertilidade à escolha de materiais, passando pelo manejo de pragas e doenças nos variados ambientes.

O pesquisador do setor de Manejo e Fertilidade do Solo, Dr. Douglas Gitti, direcionou a apresentação para três pontos importantes para estabelecer boas condições para o plantio: correção da fertilidade ao longo do perfil do solo e manutenção da acidez na área; adubação nitrogenada, fósforo e potássio no sistema de produção e o terceiro tópico abrangeu os resultados obtidos ao longo de três anos com coberturas vegetais. Os estudos foram conduzidos nos municípios de São Gabriel do Oeste, Maracaju e Naviraí.

Na questão do perfil de solo, as melhorias químicas foram importantes para o milho safrinha no período de estresse hídrico. Com os estudos foi possível também identificar que os corretivos de acidez do solo com menor relação de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) podem proporcionar melhorias químicas ao longo do perfil de solo, principalmente em camadas subsuperficiais. Já em solos com teores adequados de fósforo (P) e potássio (K), as adubações devem seguir os critérios da reposição dos nutrientes exportados com melhores respostas produtivas do milho ao nitrogênio (N) em cobertura.

O pesquisador destacou também que nos estudos sobre coberturas vegetais, a aveia foi quem apresentou melhor cobertura de solo e produtividade da soja em relação ao milho safrinha com semeadura tardia no sistema de produção.

Na apresentação do pesquisador do setor de Fitotecnia de Milho e Sorgo, o Dr. André Lourenção destacou os resultados da rede de validação de híbridos de sorgo safrinha, com estudos realizados nas Unidades de Pesquisa dos municípios de Maracaju e Naviraí. Dos 14 materiais utilizados, cinco tiveram produtividade acima de 54 sc/ha.

O sorgo tem se apresentado como uma boa escolha com relação ao plantio do milho safrinha tardio devido a baixa perda de produtividade. Estudos já apontaram que a rotação de culturas possibilita soja e milho mais eficientes.

Ganhando espaço entre os agricultores, o trigo também tem sido recomendado como opção ao milho fora de época. O pesquisador do setor de Fitotecnia Soja, Dr. André Bezerra, abordou o tema durante a palestra e destacou que os estudos demonstraram que com a colheita da soja feita até a data limite, final de fevereiro, há a possibilidade de plantio de culturas como sorgo, pastagem, aveia e trigo. A última cultura tem uma outra vantagem já que pode ser semeada no início de abril.

O pesquisador mostrou ainda que das 19 cultivares de trigo testadas nos ensaios comparativos, nove tiveram bom rendimento com colheita acima de 50 sc/ha. Com relação ao peso hectolitro, oito tiveram bons resultados, acima dos 78 kg/hl.

Na cultura do algodão, Bezerra destacou que os experimentos foram realizados no início de fevereiro, na data limite para a semeadura, no município de Maracaju, e os estudos foram feitos com sete cultivares precoces e com desenvolvimento vegetativo menos agressivo, possuindo menor exigência em regulador. Além disso, durante todo o ciclo com foram registrados cerca de 350 milímetros de precipitação total. Levando em consideração todas as condições envolvidas, três cultivares apresentaram produtividade do algodão em caroço de mais de 200 @/ha e duas tiveram mais de 90 @/ha de pluma.

A conclusão dos trabalhos desenvolvidos com a fibra mostra que é uma cultura tecnicamente viável para os sistemas de produção no sul do Mato Grosso do Sul. O cultivo na primeira safra, no lugar da soja, já que a semeadura ideal seria na segunda quinzena do mês de novembro, minimiza os riscos de produção e proporciona rentabilidade igual ou superior a leguminosa. Bezerra também destaca que a escolha da cultivar e época de semeadura são fatores fundamentais para a obtenção de fibra de qualidade.

O evento também proporcionou que os participantes conhecessem melhor o manejo antecipado de plantas daninhas e pragas na cultura do milho. O pesquisador do setor de Herbologia e Entomologia, Dr. Luciano Del Bem Junior, destacou ações para controle químico do percevejo barriga-verde (Diceraeus melacanthus), a eficiência de inseticidas químicos e biológicos no controle da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e o manejo antecipado de buva (Conyza spp).

Possuindo um potencial de dispersão muito alto, a planta daninha, dependendo do número de hastes por m², pode causar perdas de até 50% de produtividade. O pesquisador também trouxe um cenário contextualizando o momento de possíveis problemas que empresas estão anunciando com relação a falta de glifosato, com aumento de preço de até 300%, escassez da matéria-prima e crescimento do valor dos fretes, afetando o custo e a disponibilidade dos produtos.

O manejo antecipado da buva é feito na entressafra, com uma janela de 45 a 60 dias, preconizando tratamento em estádios de desenvolvimento mais precoces, a redução do banco de sementes e a utilização de herbicidas pré-emergentes. A utilização de herbicidas antecipadamente é uma ferramenta de valor e com altos benefícios. Os trabalhos aconteceram na Unidade de Pesquisa de Naviraí e contou com 18 tratamentos, associados ou não, com aplicação em 45 e 30 dias.

Dos herbicidas utilizados, quatro apresentaram excelentes resultados com a aplicação com 45 dias e outros quatro com 30 dias. No primeiro caso, houve uma redução de mais de 90% de plantas daninhas e no segundo, houve uma diminuição de mais de 87%.

Com relação a abordagem feita com o percevejo, o pesquisador destacou que o inseto pode causar perdas de até 40%, sendo que há relatos que mostram lavouras com danos muito maiores. O percevejo é favorecido pelo sistema de sucessão soja-milho e o período crítico acontece entre a emergência e o V5.

Del Bem Junior ressalta que o monitoramento da lavoura, o tratamento de sementes, o uso de inseticidas químicos e biológicos e o controle de plantas daninhas possibilita melhores condições para redução do número de população do inseto. Na apresentação, ele mostrou os resultados de 28 tratamentos e liderou um trabalho de pesquisa para verificar a performance e entrega de resultados. Do número total, oito deles apresentaram eficiência de controle acima de 80% em, pelo menos, três avaliações.

A palestra da pesquisadora do setor de Fitopatologia e Nematologia, Dra. Ana Claudia Ruschel Mochko, abordou trabalhos de pesquisa do manejo da mancha-branca na cultura do milho, avaliando o momento ideal para aplicação do fungicida e quais produtos tiveram melhores resultados.

O primeiro tratamento foi composto pela testemunha, que não recebe nenhum tipo de aplicação. Nos demais, o fungicida foi empregado nos estágios V8, pré-pendoamento (PP) e 15 dias após o pré-pendoamento (PP+15), com resultados bastante variados.

Nos tratamentos que receberam uma única aplicação, a eficácia de controle ficou entre 28% (tratamento 4 – entrada PP+15) e 60% (tratamento 3 – PP). Já os campos que tiveram o emprego de duas doses alcançaram resultados de 79% (V8 + PP) a 83% (PP + PP+15) de eficácia. Já o estudo que recebeu três doses obteve 86% (V8 + PP + PP+15). Com relação a produtividade, não houve diferenças significativas, variando de 90 sc/ha a 98 sc/ha. Ana destaca que a aplicação do fungicida não aumenta a produtividade, mas minimiza a perdas causadas pela doença, garantindo o potencial produtivo do material.

Outro ensaio realizado pela pesquisadora mostrou a diferença entre 25 fungicidas utilizados no manejo da doença. Nesse estudo houve a formação de quatro grupos, sendo que a primeira categoria teve oito tratamentos com eficiência de mais de 90% e o segundo, com seis produtos, com valores acima de 80%.

Ana mostrou ainda dados de levantamentos realizados com incidência de plantas de milho tiguera e safrinha infectadas com virose da risca, fitoplasma, espiroplasma ou infecção mista nos estudos realizados nas Unidades de Pesquisa da Fundação MS nos municípios de Maracaju, Naviraí e São Gabriel do Oeste.

O evento teve ainda a apresentação dos primeiros resultados do Programa de Enfrentamento à Viroses e Enfezamentos (Previne), visando identificação do patógeno, monitoramento e manejo do vetor transmissor de molicutes e viroses durante o desenvolvimento do cereal e posicionamento de híbridos, com pesquisa realizada conjuntamente por três setores da instituição.

O projeto foi conduzido pelos pesquisadores dos setores de Fitotecnia Milho e Sorgo, Herbologia/Entomologia e Nematologia/Fitopatologia da Fundação MS, em uma rede de ensaios instalada nos municípios sul-mato-grossenses de Maracaju, Naviraí e São Gabriel do Oeste, abordando uma ampla variedade de condições climáticas, tipos de solo e híbridos.

Fonte: Fundação MS

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